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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Análise comparativa de carne geneticamente selecionada com carne convencional em relação ao perfil aterogênico após ingestão: um estudo duplo-cego em indivíduos saudáveis

Eduardo Gomes Lima, Whady Hueb, Myrthes Emy Takiuti, Rosa Maria Rahmi Garcia, Antonio Casella Filho, Marisa Goes, Laura Inês Ventura, Laila Ghtait, José Antonio Franchini Ramires, Roberto Kalil Filho
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: O consumo de carne tem sido geralmente associado a hábitos pouco saudáveis. Alguns estudos demonstraram níveis mais elevados de biomarcadores aterogênicos após a ingestão de carne vermelha em comparação a outras fontes de proteína como peixes ou aves. Entretanto, considerando diversos tipos de carne vermelha com variadas quantidades de gordura, há poucos estudos desenhados para comparar o impacto da ingestão na inflamação e aterosclerose.

Nossa hipótese é de que a carne magra leva a um perfil menos aterogênico do que a carne padrão, a despeito de pertencerem à mesma espécie animal.

Métodos: Trata-se de um estudo unicêntrico, duplo-cego, crossover, projetado para comparar dois tipos de carne vermelha em relação a biomarcadores ligados a aterogênese. Indivíduos do sexo masculino saudáveis foram incluídos neste estudo no Instituto do Coração (InCor - HCFMUSP), São Paulo, Brasil. Eles ingeriram 2 dietas diferentes em duas refeições simples com 1 semana de intervalo. A refeição 1 foi composta por uma dieta balanceada com arroz, suco e carne vermelha padrão. A refeição 2 continha a mesma composição da refeição 1 exceto por carne magra obtida do cruzamento entre as raças Rubia Gallega e Nelore. As amostras de sangue foram coletadas antes da refeição, 1 e 2 horas após a ingesta da refeição 1 (H1 e H2) e 2 (H3 e H4). Os níveis séricos de IL-6, proteína C reactiva (PCR), VCM, ICAM, p-selectina, Apo-A1 e Apo-B foram comparados nestes tempos pré-especificados.

Resultados: Vinte homens saudáveis participaram deste estudo. A média de idade foi de 30,5 ± 2,89, valores médios normais de glicemia (84,7 ± 9,12) e colesterol (LDL 113,1 ± 27,15; HDL 44,6 ± 10,3 e TG 100,28 ± 55). Os níveis médios de Apo A1 (ng / mL) foram maiores 1h após ingestão da refeição2 (basal: 1,28, H1: 1,28, H2: 1,21, H3: 1,32 e H4: 1,22; p = 0,010). Além disso, os níveis séricos de Apo B (ng / mL) foram maiores uma hora a pós a ingesta da refeição 1 (basal: 0,81; H1: 0,81; H2: 0,75; H3: 0,76; H4: 0,76; p = 0,003). Os níveis de PCR foram menores em H3 e H4 em comparação com H1 e H2 (linha de base: 0,90; H1: 0,93; H2: 0,86; H3: 0,59 e H4: 0,58; p = 0,031). Não foram observadas diferenças quanto aos níveis séricos de ICAM, VCAM, IL-6 ou p-selectina.

 

Conclusão: A carne vermelha magra obtida de cruzamento de Rubia Gallega e Nelore leva a um perfil menos aterogênico após ingestão quando comparada a carne padrão em relação aos níveis de Apo-A1, Apo-B e PCR.

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